Framboesas

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Estamos de novo diante de mini-loiças, como as que usava em criança, com um mini-soufflé de chocolate preto na sua mini-forma, pousada sobre um pratinho onde ondula um fio de creme vermelho, com certeza decorativo, e onde se perdem três framboesas.

As conversas continuam e eu ausento-me. Entro nas profundezas dos meus sentidos. Aproveito a calma para me concentrar nas sensações produzidas pelo chocolate ainda morno e macio e as framboesas frescas e acídulas.

― Com certeza, não se lembra de mim. Estive na semana passada na empresa.

Perco a concentração na sensação produzida pelo esmagar da superfície aveludada das framboesas entre o palato e a língua. Viro-me para o lado esquerdo e encontro dois olhos verdes ou dourados. Gostaria de poder continuar o meu joguinho e perguntar se é algum cliente ou algum novo técnico. Mas pressagio que serei eu a fazer figura de urso.

― É possível.

(Capítulo 3)

 

Sem olhar para ele, como lentamente uma colherada desta delícia procurando uma desculpa. A massa fofa, o creme chantilly ligeiro e vaporoso, a framboesa que explode em bolinhas acídulas.”

(capítulo 5)

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